Um paraíso no meio do mundo
A beleza, a biodiversidade, a grandeza da Amazônia saltam aos olhos. Ainda hoje é assim. Basta um voo panorâmico sobre a floresta Amazônica a bordo de um avião ou, ainda que seja vista pelas lentes da internet, para constatar como é impávida e colossal a nossa floresta amazônica. São poucas as pessoas que não se encantam com tanta beleza, grandeza e mistério. Consagrados nomes da literatura mundial prestaram belas homenagens ao nosso éden encravado no coração do Brasil. Em sua belíssima obra, À Margem da História (1909), Euclides da Cunha (1866-1909) escreveu: “A Amazônia é, antes de tudo, um problema. Uma ilusão. Uma quimera. […] A floresta é um mar intransponível. A natureza transborda numa opulência bárbara, que ultrapassa os quadros da imaginação”. Aqui o nosso Euclides, fascinado por tanta beleza e ao mesmo tempo invadido por uma profunda inquietação, o consagrado escritor ver ali uma natureza exuberante em que a sua grandeza é paralela à negligência histórica do Estado brasileiro, denunciando já naqueles idos o descaso que as autoridades brasileiras nutrem pela nossa Amazônia. E não ficamos só com este exemplo. Veja está bela homenagem que o poeta Mário de Andrade (1893-1945) presta a imponente Amazônia em sua obra O Turista Aprendiz (1927-1930): “A Amazônia me dá uma sensação de eternidade, de vida que nunca começou nem nunca acaba. Tudo é excessivo, tudo é silencioso e tudo é imenso”. São belas impressões sensoriais que o nosso poeta do modernismo registra enaltecendo a cultura da floresta e dos povos ribeirinhos. Não poderia deixar de lembrar da mais importante obra prima já produzida no cenário artístico brasileiro, ficando abaixo apenas, na nosss singela opinião, do hino Nacional, que de certa forma presta homenagem a nossa exuberante morena, refiro-me à grandiosa obra do mestre Ary Barroso, a letra-poesia Aquarela do Brasil (1939), que imortalizada na voz do saudoso Braguinha homenageia a riqueza cultural do nosso Brasil, de tantos brasis encravados na floresta amazônica.
Vale ressaltar que a Amazônia além de ser um berço cultural da nossa gente representado pela tradição indígena e uma das maiores biodiversidade do mundo, com imenso potencial farmacológico, como enfatiza o nosso ex-ministro Aldo Rebelo, existe abaixo da diversidade climática e sob o solo fértil da nossa floresta amazônica uma uma riqueza incalculável de minerais preciosos. Não é à toa, como veremos logo adiante, que os impérios há muito cobiçam a nossa Amazônia. Reza a lenda urbana, que não é tão urbana assim, que os yankee mostram para a sua prole o mapa do Brasil sem a região amazônica. Mitos e verdades a parte, o fato é que o Brasil precisa cuidar do que é seu pois há muita “gente boa” de olho no que é nosso.
A Amazônia é nossa, não deles
As grandes potências querem as riquezas existentes em solo amazonense, isto não é narrativa é fato. Segundo nos informa Aldo Rebelo, existem milhares de ONGs instaladas na Amazônia com total controle sobre as comunidades indígenas. Em sua obra, que mais, Amazônia – A Maldição de Tordesilhas, ele relata um fato curioso que exemplifica bem como as ONGs agem no controle total dos territórios. Com a palavra Aldo Rebelo:
“Quando presidi a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (2002), vivi um dos episódios mais reveladores da fragilidade do Estado nacional na Amazônia […] Os índios apresentavam estado de avançada desnutrição e a maloca não tinha água tratada nem luz elétrica. Perguntei à jovem da ONG por que não estender a água e a luz elétrica do Pelotão de Fronteira até a maloca e ela respondeu que isso alteraria a cultura dos índios. Em seguida, já na despedida, chutei uma bola com a qual brincavam crianças Ianomâmi e comentei com a moça da ONG que pelo menos torcíamos todos para a mesma seleção de futebol e apontei para as crianças indígenas, no que fui contestado por ela: “Não, senhor, o senhor torce para a sua seleção e eles torcem para a seleção deles.”. Convidei os oficiais presentes a nos retirarmos antes que a situação se tornasse ainda mais desagradável.”
Ver-se claramente naquela época como ONGs estrangeiras e nacionais, mas todas financiadas com dinheiro de gente muito poderosa, agiam livremente em território pátrio a ponto de estabelecer regras absurdas que mantém os índios em condições degradantes sob a desculpa de preservar o “estado original”. Não caros amigos, não se trata de xenofobia. Trata-se de defender o que é nosso. Nas duas obras de alta relevância a respeito Aldo Rebelo expõe a farsa das ONGs revelando as suas verdadeiras intenções que nada mais é que projetos para se apoderar das nossas riquezas amazonenses. Óbvio que existem ONGs bem intencionadas e que desenvolvem excelentes trabalhos de cunho humanitário na região. Mas isso é exceção e não regra. O pior é que se ver que há uma aberta anuência do governo nacional, sobretudo o atual (Lula), cuja ministra do Meio Ambiente entrega a nossa Amazônia aos estrangeiros. Enquanto ela recebe reconhecimentos internacionais por deixar a Amazônia à exploração alheia por um lado, por outro as nossas florestas amazonenses ardem com as ações criminosas do desmatamento criminoso. Destacamos que quando ela era oposição bradava em alto e bom tom que o governo da época foi irresponsável e genocida.
Retornando ao cerne da questão, é que evidente que embaixo do nariz de 210 milhões de brasileiro a Amazônia vai mudando de mãos e sendo controlada por estrangeiros. Não, somos categóricos ao afirmar que a Amazônia não é o pulmão do mundo. Não podemos aceitar que sob a justificativa de ser uma reserva natural para a humanidade percamos a posse do nosso mais importante território. As potências mundiais que estão por trás disso não podem exigir que a Amazônia seja a reserva de carbono do planeta quando eles exauriram as próprias reservas. Isso é uma questão de soberania e os nossos governantes deveriam saber disso muito bem. O Brasil não é responsável pela devastação que a Europa e a América causaram em suas florestas. Pelo contrário, somos o único país que manteve a população indígena com suas tradições intactas e a imensa biodiversidade encontrada na Amazônia. Não temos que pagar o preço pelos erros dos outros. Não faremos isso às expensas das nossas riquezas naturais. Temos que reagir e proteger o que é nosso. É nesse sentido que Aldo Rebelo e o antropólogo Antônio Risério, cada qual ao seu modo, se manifestam quando sai em defesa de um espírito mais nacionalistas. Aldo Rebelo deixa isso claro na sua supracitada obra:
“O nacionalismo das nações dominantes é agressivo, expansionista, imperialista, disposto a usar a força econômica, científica, tecnológica, diplomática, cultural e militar para alcançar seus objetivos. […] O nacionalismo das nacionalidades emergentes é defensivo, não está em seu horizonte a cobiça pela riqueza ou pelo território de seus vizinhos, busca apenas a proteção de seus interesses econômicos e sociais contra pretensões alheias. Não almeja dominar, mas sim não ser dominado.”
Aldo Rebelo em “Amazônia, a maldição de Tordesilhas”
O ex-ministro é uma das poucas mentes lúcidas no cenário político nacional. De formação ideológica predominantemente de esquerda, desta se considera da velha guarda e tem uma posição crítica à atual esquerda e às políticas do governo petista, embora tenha exercido importantes funções nas gestões dos governos de Lula e de Dilma como ministro da Defesa do Brasil (2015–2016), ministro de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovações do Brasil (2015–2015) e ministro do Esporte do Brasil (2011–2015). A primeira vista, por suas declarações, sempre muito contundentes e recentemente recheadas de críticas ao governo de Lula, pode nos levar a conclusão de que ele abandonou as lutas da esquerda, mas como ele mesmo afirmou em entrevista recente no Xadrez Global, canal no YouTube sobre políticas globais, ele não abandonou os princípios da esquerda tradicional mais nacionalistas e defensora dos valores nacionais, foram “eles” que abandonaram. Aldo Rebelo disse para o entrevistador: “eu fui criado numa tradição nacionalista”. Jornalista de formação e um historiador respeitável foi capaz de observar os acontecimentos políticos, sociais e econômicos das últimas décadas do Brasil para inferir que estamos trilhando o caminho errado. A sua defesa dos valores nacionais sempre esteve presente em todas as suas atuações como homem público. Sempre buscou alternativas para um crescimento sustentável do Brasil a partir das nossas imensas riquezas. Isso ficou evidente em seu livro O Quinto Movimento, em que propõe ideias para a retomada dos nossos valores e crescimento econômico e social. Contudo, na sua obra mais recente, Amazônia – A Maldição de Tordesilhas, o ex-ministro demonstra em letras o seu profundo conhecimento de toda a região da Amazônia, suas histórias e problemas.
São muitos os problemas em que se encontra a Amazônia, a começar pela invasão das ONGs. Para Aldo Rebelo elas são instituições, com poucas exceções, que lá se encontram a serviços de grupos internacionais que pouco fazem pelos indígenas, pelo caboclo e pelo ribeirinho, gente que vive em extrema pobreza e sobre um solo tão rico. Ele explica que há três categorias de ONGs atuando na Amazônia:
“O primeiro grupo é o das ONGs militantes, barulhentas, espalhadoras de versões e notícias falsas sobre a região, conhecidas hoje como fake news. Vendem aos seus patrões a ameaça sobre a Amazônia em troca de recursos como uma espécie de máfia vendedora de proteção.”
“O segundo grupo é o das ONGs que atuam com projetos, interagem com a população da região propondo uma economia santuarista, de perpetuação da pobreza, do baixo consumo, da baixa emissão de carbono para tranquilidade da população rica, dos países ricos, que seguirá no seu consumo conspícuo sem que qualquer ONG a perturbe ou incomode.”
“Um terceiro grupo é formado pelas ONGs “científicas”, que organizam projetos de pesquisas, cooptam acadêmicos nas universidades, estão profundamente ligadas à agenda do clima patrocinada pelas corporações internacionais. Na sua esfera de preocupação não estão os 30 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia com os piores indicadores sociais, as maiores taxas de analfabetismo, mortalidade infantil e doenças infecciosas, os piores índices de serviços básicos como água tratada, energia elétrica e saneamento básico.”
Isso mostra bem a que ponto chegou o controle e influência das ONGs na Amazônia. Isso não ocorre à revelia dos governos federal e estadual, pelo contrário tudo é feito sob as suas vistas e com total anuência. A isso Aldo Rebelo é taxativo:
“Assim, o próprio Estado executa a política das ONGs que nada mais é do que a orientação dos interesses internacionais dos Estados Unidos e da Europa Ocidental, de agências como a Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), fundações como a Fundação Ford, o Open Society ou fundos bilionários como o Fundo Amazônia.”
Óbvio que não podemos deixar de reconhecer as ações bem intencionadas de gente que se dedica a cuidar das condições sociais degradantes em que o povo amazonense está mergulhado. O ex-ministro reconhece isso com clareza cristalina:
“É verdade que há organizações não governamentais humanitárias e filantrópicas, ocupando o vazio do Estado e atendendo carências seculares de uma população desassistida. São entidades religiosas ou vinculadas a iniciativas assistenciais de diversas origens.”
Todavia, isso é uma exceção. A regra geral que se vê são poderosas instituições de olho em nossas riquezas como é o caso da Usaid, apontada como partícipe de um poderoso aparato internacional de financiamento de projetos que não trás benefícios para a Amazônia. Vejamos Aldo Rebelo:
“A Usaid trabalha sob a orientação do Departamento de Estado e da CIA e tem papel decisivo na formulação da política de meio ambiente dos Estados Unidos para o mundo, no financiamento e na articulação de recursos para as ONGs ambientalistas que atuam no Brasil, como se pode verificar em alguns dos portais dessas organizações disponíveis na Internet.”
“Os brasileiros devem estar preocupados com os reais interesses das potências na região. E estes interesses estão muito mais relacionados com os nossos bens e não com o nosso bem.”
Por fim, vejamos a conclusão do autor da obra:
“A verdade é que há uma escalada de atividades criminosas na Amazônia, e o desmatamento ilegal e a extração clandestina de madeira estão entre elas, que devem ser reprimidas. Mas daí à propaganda de que há um processo quase irreversível de “savanização” e ameaça de “desertificação” da floresta vai uma distância que só pode ser percorrida pela comunhão de interesses financeiros e geopolíticos dos propagadores dessa fantasia.”
“Não há dúvida de que o bloqueio imposto pela ação das ONGs financiadas do exterior e por agências do próprio Estado brasileiro desestimulam o investimento sobre o inventário das riquezas minerais do País, principalmente na Amazônia.”
A leitura da obra do ex-ministro Aldo Rebelo é fundamental para compreender as suas ideias, preocupações e projetos que visam a valorização da nossa gente, a exploração das nossas riquezas de forma sustentável por ações e iniciativas nacionais e que até trabalhe com a colaboração de organismo internacionais, mas mantendo longe qualquer interesse sobre as nossas riquezas que não traga benefício para o crescimento social e econômico da Amazônia. O livro em questão é essencial para quem quer construir uma consciência crítica sobre os perigosos caminhos que o Brasil vem trilhando há décadas através da visão de quem há décadas luta contra o domínio estrangeiros nos territórios amazonenses.
A inércia e a ignorância dos governos diante dos interesses nefastos
Não é de agora que o Presidente da França Emmanuel Macron vem demonstrando um indisfarçável interesse pela Amazônia. Ele vem dando declarações cada vez mais perigosas sobre a Amazônia numa clara demonstração de interesse na região. Isso é um atentado contra a nossa soberania, é tudo dito com total conivência do presidente Lula. Em 14/06/2025 o Jornal da Cidade Online público uma matéria em que a Deputada Silvia Waiãpi, uma destemida defensora da Amazônia e dos povos indígenas, revela que a ex-ministra da França, Christiane Taubira, foi contratada pela Universidade de São Paulo (USP), para realizar um estudo sobre os biomas brasileiros. Conforme o Jornal informa, de acordo com a parlamentar, no dia que assumiu a cátedra José Bonifácio, Christiane afirmou que agora é o mundo que vai decidir sobre o futuro da Amazônia. O JCO afirma ainda que “por conta disso, Silvia Waiãpi apresentou uma moção de repúdio na Câmara contra a ex-ministra francesa”, destacando a fala da parlamentar que indignada aduz:
“Ela [a ex-ministro francesa] nos chamou, nós, brasileiros, e até mesmo os povos que habitam a Amazônia, de incompetentes, néscios, ineptos para decidir o futuro de onde nós nascemos e onde nós vivemos, numa clara interferência na soberania brasileira.”
Para tornar a situação mais dramática, houve a declaração do presidente Macron, depois que o cacique Raoni pediu ajuda a ele para convencer o presidente Lula a paralisar o projeto da Petrobrás. A qual Macron respondeu que a exploração de petróleo na foz do Iguaçu “não é boa para o clima”, matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo em 10/06/2025. Percebamos a gravidade dessa intromissão em nossas riquezas a troco de alguns parcos milhões de dólares que serão enviados pelo governo francês para projeto na Amazônia, de acordo o contrato firmado entre as partes com esse objetivo. Isso é grave. O governo está sucateando a floresta Amazônia e toda a riqueza que há nela. O problema da Amazônia não é a falta de dinheiro, mas a falta de vergonha dos nossos governantes e ausência de interesse político fortemente embasado num sentimento nacional de pertencimento. Governos de alternam e nenhuma solução. A Amazônia está entregue a grileiros, políticos e empresários corruptos, ao narcotráfico. A população ribeirinha, a comunidade indígenas, sob o domínios de ONGs, que são financiadas por poderosas corporações mundiais, estão à mercê da própria sorte, literalmente abandonados. Exploração predatória das riquezas minerais e da sua gigantesca biodiversidade, queimadas sucessivas que destroem milhares de quilômetros de florestas, tudo isso faz parte do portfólio da destruição. As potências mundiais parecem ter interesse nisso, pois assim damos para elas os motivos necessários que elas querem para intervir.
Todavia a criminalidade na região já chamou a atenção da Organização das Nações Unidas (ONU) em seu Relatório Mundial sobre Drogas, de 2023, que apontou a expansão das atividades do tráfico de drogas para a grilagem de terras, mineração ilegal, extração de madeira e desmatamento.
Agora a situação da Amazônia está muito pior
No governo de Bolsonaro, a oposição “caiu de pau” sobre as poucas ações do governo para combater o desmatamento e as ações dos grileiros. Sem dúvidas o governo não fez muita coisa para proteger as nossas florestas, porém teve pulso para dizer não aos interesses das potências europeias às nossas florestas amazônicas num evento promovido na ONU em 2019. Os incêndios criminosos causados por atividade como desmatamento para abertura de pastagem e exploração de madeira sempre foi um problema muito sério para os governos que já passaram pelo Planalto, mas o que vem acontecendo desde o início de 2023 sob a administração de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente é sui generis. Desde a administração da petista já foram queimadas cerca de vc km de florestas na região amazônica, sendo em sua maioria significativas por incêndios criminosos. Não há como não pensar na inércia e incompetência da ministra.
Conclusão
A Amazônia não é apenas floresta. É também terra habitada por povos tradicionais, comunidades ribeirinhas, agricultores, e índios que, ao longo dos séculos, construíram uma relação de interdependência com o bioma. Qualquer proposta de gestão da região deve contemplar essas populações, respeitando sua cultura e saberes tradicionais, em contraposição à ideia de que apenas organismos internacionais possuem legitimidade para decidir o futuro da floresta.
Defender a Amazônia é, portanto, mais do que uma questão ambiental: é uma afirmação de soberania, de identidade nacional e de justiça histórica. Recuperar a memória dos processos de exploração e domínio territorial é fundamental para compreendermos os desafios atuais. A “maldição de Tordesilhas” não está nos mapas antigos, mas nas mentalidades que persistem em tratar o Sul Global como incapaz de gerir seu próprio destino.
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